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Qual o Interesse da China em Financiar a Venezuela?

Por Lucas Ferreira e Renata Gonzalez


Muito se fala atualmente de um de nossos países vizinhos que, em determinado período, ocupou o lugar de país latino-americano com menor desigualdade entre ricos e pobres e hoje não enxerga mais insumos básicos em suas prateleiras: a Venezuela. Já são 12 trimestres contínuos de recessão causados pela má gestão de empresas estatais e de órgãos relacionados ao governo e pela centralização do potencial exportador do país ao redor do petróleo, commodity que viu seu valor cair vertiginosamente desde o desaceleramento da economia chinesa e da recusa da Arábia Saudita e do Irã de reduzir a produção petrolífera. Somado a isso também temos a recusa de Nicolás Maduro em diversificar o leque de exportação do país e da contínua desvalorização da sua moeda, apesar das tentativas do governo de controlar o governo paralelo de dólares, sem resultado.


Apesar de concentrar as maiores reservas do mundo, se tornou um desafio para esse pequeno país sul-americano alimentar sua população, que já flui em fluxos contínuos para os países vizinhos, onde muitas vezes são tratados com hostilidade, como foi o caso em diversas cidades de Roraima. Alternativamente, as pessoas que escolheram ficar não vivem em condições melhores, visto que são constantemente vítimas de uma política monetária irresponsável e limitante, além da fome e da falta de segurança resultantes disso.


Muito da crise se desenrolou na aposta venezuelana na exportação de petróleo, visto que representa 96% de suas vendas para o exterior. Isso se deu basicamente pelo alto crescimento chinês, que eleva o preço do petróleo e favorece as nações produtoras. Mas desde o fim do boom chinês, o preço do petróleo vem encolhendo e prejudicando as nações produtoras. Associado a isso, a Venezuela também foi incapaz de sustentar essa indústria, que vem assistindo o decair de sua capacidade produtiva desde o início da crise, chegando até 1,5 milhões de barris por dia, a pior de 33 anos.


Esse cenário se apresenta como uma oportunidade para Pequim, pois ela possui uma proximidade ideológica nítida com a Venezuela (visto que Maduro faz parte do Partido Socialista Unido da Venezuela, inferindo em uma posição que se inclina à chinesa), além do país latino-americano se encontrar distante da área de influência petrolífera dos Estados Unidos em outros países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), onde países como a Arábia Saudita podem apoiar um boicote ao Estado chinês.


Ainda existem resquícios do período perpassado entre 1947 até 1991, no qual em acontecimentos destacados atualmente, a transparência de um intenso confronto entre a China e os EUA no contexto da crise da Venezuela, levaria à interligar como se convencionou chamar a relação entre Rússia e os EUA.


Sobre este contexto, a República Popular da China buscou sempre um interesse em manter a Venezuela como um regime que causa problemas aos EUA, levando à conceder grandes empréstimos, investimentos, (falaria sobre a importação de commodities) e com isso, a um certo desenvolvimento das relações sino-venezuelanas de forma a ajudar na recuperação econômica bem como contribuir para um crescimento estável de toda a região.


Segundo o analista chinês, Xu Feibiao, a visita de Nicolás Maduro à China datada 14/09/2018 confirmou a continuidade das relações entre os dois países:

"Nos últimos tempos os EUA têm agitado constantemente a ameaça das sanções. Eles não apenas impuseram sanções contra a Rússia, o Irã e a Turquia, mas também contra a Venezuela. O desenvolvimento da cooperação entre a China e a Venezuela tem seus próprios motivos. Na verdade, eles são ditados na sua maioria por interesses bilaterais, e não por motivos de resistência aos EUA. Este é o fundamento da política chinesa", comentou Xu Feibiao.


Acordos bilaterais de financiamento em troca de petróleo têm sido fechados entre ambos os países, revelando a intenção chinesa em custear a reconstrução do sistema industrial petrolífero venezuelano, que provavelmente vai facilitar e baratear o trânsito do petróleo para a China. Outro ponto interessante desses acordos, é que eles visam o longo prazo, sendo a moeda de pagamento da Venezuela o petróleo. Nessa lógica, o valor do barril do petróleo pode voltar a se elevar, mas a quantidade do insumo que será concedido foi fixado nos termos e na época em que o acordo foi assinado, ou seja, se o débito não tiver sido pago daqui a 5 ou 10 anos, a China ainda receberá petróleo por um custo relativamente baixo.


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Fontes:

BBC. Crise na Venezuela: o que levou o país vizinho ao colapso econômico e à maior crise de sua história. Disponível em <https://goo.gl/QUBMWj>, último acesso em 30/11/18.

EL PAÍS. China fecha torneira do crédito à Venezuela. Disponível em <https://goo.gl/XgTpzU>, último acesso em 30/11/18.

FOLHA DE S.PAULO. Maduro anuncia 'compromissos de financiamento' petroleiro com a China. Disponível em <https://goo.gl/Sh5c8D>, último acesso em 30/11/18.

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